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16 de Maio de 2021
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    Com mais de 900 júris no currículo o criminalista Mauro Nacif conta como inovou técnicas para ganhar mais de 600

    Publicado por Última Instância
    há 9 anos

    O advogado é a estrela de uma sessão no Tribunal do Juri. Durante a entrevista esta frase foi repetida mais de dez vezes por um advogado que conhece como poucos a arte da persuasão.Sobre a mesa, reportagens, estatísticas, calculadora. É difícil ouvir alguma afirmação do advogado criminalista Mauro Nacif que não venha acompanhada de uma boa prova.

    Em 40 anos de atuação, Nacif passou por quase 900 júris e saiu vencedor em pelo menos 600. Mas para conseguir números tão expressivos e a preferência de muitas pessoas famosas e importantes que ocuparam a cadeira dos réus,o advogado teve que usar e inovar muitas técnicas e artimanhas. Nacif já rolou no chão do tribunal, foi o primeiro advogado em São Paulo a conseguir a retirada de um crucifixo da sala de julgamento, anular uma decisão porque o réu estava algemado, e criou a parte favorável.

    Para o advogado, todo réu entra em um júri condenado, cabe ao seu advogado que inicia a disputa com um placar desfavorável de 10 a zero, apresentar uma tese surpreendente e mudar a cabeça dos jurados. Tanto no Tribunal do Júri quanto nas varas dos tribunais quem consegue a absolvição é o advogado, porque a Justiça não age, ela reage. Se o advogado não levanta a tese ou a nulidade certa, os jurados não vão absolver o réu, afirma.

    Para tanto, ressalta que alguns cuidados precisam ser tomados: nunca atuar sozinho, jamais aceitar jurado jovem e não abrir mão de nenhum segundo que tenha para falar. Julgamento rápido é condenação na certa e advogado que pega jurado com 20 anos está ferrado, aponta.

    Conhecido como o príncipe das nulidades, Nacif é reconhecido como um advogado capaz de encontrar falhas no processo que ninguém viu. No tribunal, teve um caso de um fiscal de 55 anos, pai de três filhos, que foi preso por corrupção. O delegado errou na ordem de ouvir os depoimentos e meu cliente foi solto em um dia. Soltei por causa do meu talento. Era um errinho e eu vi.

    Eleito o criminalista do ano em 1993, pela Associação dos Criminalista, com participação da OAB-SP, Mauro Nacif atua no Tribunal do Jurí desde 1968. Os 46 anos de experiência e o número de vitórias e sustentações orais só sustentações ultrapassam 600 do Professor de Processo Penal da ESA (Escola Superior de Advocacia - Central) fazem dele um dos profissionais mais requisitados para defesa de réus acusados de cometerem crimes dolosos contra a vida.

    Porque o Senhor afirma que o advogado é a estrela do Tribunal do Júri?

    Mauro Nacif Tanto no Tribunal do Júri quanto nas varas dos tribunais quem consegue a absolvição é o advogado, porque a Justiça não age, ela reage. Se o advogado não levanta a tese ou a nulidade certa, os jurados não vão absolver o réu. Então, é errado dizer que o advogado defende, oadvogado absolve porque ele é o dono da ideia. O réu entra em uma sessão do júri condenado. Partindo do principio de que o júri começa com o placar de 10 a zero contra o advogado, se o réu é inocentado, o mérito não pode ser de outra pessoa se não do advogado.

    Mas é o jurado que dá o veredito, não é?

    Mauro Nacif O jurado que coloca uma cédula tem medo da hora que tiver que acertar as contas com Deus. O júri não decide pela ciência, decide pela consciência. É o advogado lhe impõe a dúvida sobre a condenação. Deus chega: Senhor jurado, está aqui a sua ficha, o senhor dormiu no julgamento do réu. Ah, eu estava com sono. Você condenou esse cara inocente sem examinar o caso. O réu foi condenado e se matou na cadeia, pode descer para o inferno. O advogado é a estrela do Judiciário, o Poder Judiciário não age, ele reage.

    Se fala que nos casos degrande repercussão na mídia, o réu chega condenado. A imprensa tem esse poder? É possível reverter esta situação?

    Mauro Nacif A imprensa não prejudica o réu porque o jurado tem medo da eternidade, o jurado tem medo...

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